Aqui no hay playa
Julho 30, 2006
Podéis tener Retiro, Casa Campo y Ateneo,
podéis tener mil cines, mil teatros, mil museos,
podéis tener Corrala, organillos y chulapas,
pero al llegar agosto, ¡vaya, vaya!,
aquí no hay playa.
¡Vaya, vaya!
No hay playa.
¡Vaya, vaya!
Podéis decir a gritos que es la capital de Europa,
podéis ganar la Liga, podéis ganar la Copa,
afirmaréis seguros que es la capital de España…
Podéis tener hipódromo, Jarama y Complutense
y , al lado, la Moncloa donde siguen los de siempre,
podéis tener el mando del imperio en vuestras manos,
pero al llegar agosto y el verano…
Podéis tener la tele y los 40 Principales,
podéis tener las Cortes, organismos oficiales,
el Oso y el Madroño, Cibeles, Torrespaña…
¡Escucha, Leguina!
Podéis tener Movida ¡hace tiempo!,
Movida promovida por el Ayuntamiento,
podéis rogar a Tierno
o a Barranco o al que haya,
pero al llegar agosto, ¡vaya, vaya!…
The Refrescos, Aquí no hay playa.
Não houve modo de escutar a rádio enquanto a nossa passagem por Madrid. Calculo, supondo muito, que esta música é um bom refresco de verão, para os que estão na cidade em pleno Agosto.
Sim, Madrid só tem um único defeito : não tem mar.
L.
A noite elegante
Julho 30, 2006

O número 12 de Gran Vía não deixa ninguém despercebido por quem lá passa. Quem entra pela porta giratória do Museo de Chicote apercebe-se logo que há uma história, em que as próprias fotografias, a preto e branco, repletas nas paredes, querem contar. Conta-se as personagens de cinema (Orson Welles), os cantores (Frank Sinatra),os escritores (Ernest Hemingway), que por ali desfilaram. Glamour por todos os cantos, de um bar que foi considerado pela televisão da MTV o melhor bar da Europa, em 2004. Mas,na verdade, tudo começou com Pedro Chicote.
L.
Exposições
Julho 30, 2006
(c) Willy Ronis,Les Amoureux de la Bastille,1957.
Não sei se alguém acreditaria se dissesse que o meu maior intuito de ir até Madrid foi o de ver La Vida, de Picasso. Retardo em falar neste quadro, na exposições do Picasso, no Goya, no Velásquez. No museu do Prado e nas exposições do Reina Sofía. Retardo ainda em falar na exposição mais que estupenda do Kiarostami (my gods, que maravilha de exposição), na exposição de Agnès Varda, na filmoteca. Retardo, como quisesse guardar ainda mais na linha da memória.
Infelizmente não nos aconteceu o acaso de um Paris humanista.
L.
Paseos
Julho 30, 2006

Terça-feira: Plaza de Castilla – Puerta del Sol-Plaza Canalejas-San Jerónimo- Hostal Aguilar-Fuente de Neptuno-Paseo do Prado-Bairro de Las Letras- Plaza Teatro Espanhol-Plaza Santa Ana-Álvarez Gato-Paseo del Prado-Parque do Retiro-Paseo del Prado-Plaza de Cibelle-Gran Vía-Plaza Callao-Puerta del Sol-San Jerónimo-Hostal Aguilar-Paseo del Prado-Gran Vía-Plza de Mella-Plaza Chueca-Almirante-Paseo Recoletos-Cibeles-Paseo del Prado-Fuente de Neptuno-Puerta del Sol-Plaza Mayor-Hostal Aguilar.
Quarta-feira:San Jerónimo-Plaza Canalejas-Fuente de Neptuno-Museo Prado-Paseo del Prado-Centro de Arte Reina Sofía-Estación Atocha-Ronda Atocha-Mesón de Paredes- Pza Lavapiés-Magdalena-Plza Tirso de Molina-Plza Jacinto Benavente-Plaza Mayor-Puerta del Sol-Hostal Aguilar-Plaza Mayor.
Quinta-feira:Ronda Atocha-Magdalena-Paseo del Prado-Parque Retiro-Metro Atocha-A.Martínez-Plza Santa Bárbara-Zurbarán-Paseo del Prado-Bairro de las letras-Plza Santa Ana-Puerta del Sol-Plza San Martín-Plaza Mayor-Hostal Aguilar-Puerta del Sol-Kmo-Metro Plaza de Castilla.
L. Foto de A.
Tentativa
Julho 27, 2006
Para além de ler a cidade, de tentar captar todos fragmentos para ficarem intactos na minha memória, escrevia a cidade. Com algumas folhas dobradas, ia apontando.
A falta que me fazia uma coisa dessas.
L.
Desnivel
Julho 27, 2006

[Os cadernos da Paperblanks são tão lindos. Não os vi à venda].
No último dia, quase na recta final, a ver as horas que faltavam, mal sabíamos que o acaso ia nos pregar outra partida. Revisitando algumas ruas, no intuito de encontrar novamente o café da personagem wimwenderiana, chegamos a livraria puramente dos errantes. O último acaso chamar-se-ia Desnivel. Para mim, sair daquela livraria foi um caso sério. Logo na entrada, à nossa esquerda, encontrámos uma parede pintada com uma frase e imagem do maior alpinista da história, Reinhold Messner. Já não sabia mais o que fazer, tinha o céu tão próximo e algums horas para partir. Vim com um livro do Bruce Chatwin. Simplesmente disse o nome do Chatwin e recebi nas minhas mãos uma lista, retirada da internet, do que havia naquele mundo de espaço. Mais do que cinco estrelas. Uma galáxia. E Altair só estaria próximo no pensamento.
L.
Outro espelho da cidade
Julho 27, 2006

Atravessámos a Chueca, Huertas, Bairro de las Letras, Atocha e Lavapiés, e só vi duas mulheres a pedir à porta de uma igreja. A pedir. À noite na Plaza Mayor via-se alguns homens deitados só com os seus colchões, entre as nove portas da praça. Entre todos os que vi à margem houve um homem, com a sua camisa rosa, que me chamou atenção, porque descia os passeos com o seu “carrinho de compras” aparentemente, onde levava tudo o que possuía. Aqui à porta do palácio das comunicações.
Ver uma cidade em que, aparentemente, há poucas pessoas a estender a mão é bom.
L.
Atalhos
Julho 25, 2006

[Ronda Atocha para um grande acaso]
Tio pepe, Picasso, Goya, Velasquez, Prado,Cão,Tiziano, Guernica, Joseph Cornell, biblioteca Reino Sofia, la central,Kiarostami, Godard,Lavapiés,Tabacaria,Garbarrón Betegón, Zahara,sangría,Círculo de Belas Artes, museo chicote, paella,acuarela,álvarro carrillo,gijón,chá,recoletos, el espejo,táxi cibelles,desnível,pasajes,ortega, residencia estudiantes,gregório marañon,agnès varda, jardim de mehdi akhavan -e salis,lapanzaesprimero,hotel urban,buy local not global,plaza mayor,,,
L.
Marketing de Rua
Julho 25, 2006

[Interior de Al Natural. Fotografia retirada do site]
Do bolso traseiro do meu blue-jeans trouxe uma série de papeizinhos dobrados em dois. Nunca vi tanto marketing de rua de toma lá a morada e vai até ao restaurante. Passando do indiano Guru até ao Al Natural, ainda houve um circuito de bicicleta. Claro, tanto estender de mão no intuito de receber “es muy amable”.
El prado com muito pop love
Julho 24, 2006

O artista norte-americano Robert Indiana trouxe amor ao passeio do Prado, com as suas espectaculares instalações, conversões e inversões, com a palavra LOVE. E o passeio dos Recoletos com os seus números convertidos. Já não bastava ter num eixo tão perto o museu do Prado, Thyssen e do Reino de Sofia, as esculturas de Indiana trazem amor à cidade em comunhão com a arte, e numa altura em que esta polémica está no ar. Até o dia 31 de Julho.
L.
Feiras
Julho 24, 2006

Descendo o passeio do Prado em direcção ao parque do Retiro, no meio do caminho, demos conta de uma fileira de barracas com livros. Atravessando o passeio que mais arte respira, ficamos a saber que eram livros antigos, de segunda mão, de dicionários à romances. Era a conhecida feira de livros, da Cuesta de Moyano, que se encontra ali temporariamente.
Era uma quarta-feira. Se fosse domingo, teríamos ainda a feira dos coleccionadores na Plaza Mayor e a feira da pintura na Plaza Conde de Barajas. E já não falo na feira de excelência, El Rastro.
Era uma quarta-feira e os livros não nos podia reter mais tempo. Havia uma cidade à espera.
L.
Imagine
Julho 24, 2006

Arrepiante escutar “Imagine”, de John Lennon, na estação da Atocha, por um homem que tocava a sua guitarra, próximo da máquina dos bilhetes.
L.
Madrid tem outro pulso
Julho 23, 2006
[Praça Chueca, por volta da uma e meia da manhã]
Na senda do que tenho pensado sobre a vida de Madrid, sobre o ritmo, os hábitos que eles têm, vem mesmo a calhar este pequeno trecho retirado da entrevista da revista Pública, de hoje. Como pano de fundo, o livro “Nos rastos da solidão-deambulações sociológicas”, de José Machado Pais. Ele mesmo diz às tantas:
A velocidade desliga-nos da realidade?
O espaço público tornou-se um lugar de deslocação, raramente de usufruto. No centro comercial as pessoas transitam, não comunicam.
Isto é um fenómeno português? Nas cidades espanholas, mantém-se o hábito de passear na rua, antes do jantar, o “passeo”. Em Portugal perderam-se os espaços de sociabilidade?
O próprio hábito das “tapas” entre as refeições…Há, em Espanha, uma cultura de cafeteria.
Em Portugal havia os cafés, que foram desaparecendo.
Sim as tertúlias. Mas é evidente que hoje as sociabilidades no espaço urbano são muito mais expressivas em Espanha.
Porquê?
Não sei. Tem a ver com a mentalidade, com o fado…
Pergunto eu : Será que tem mesmo a ver com o fado?
L. (Foto de A.)
El parnasillo
Julho 23, 2006

Viaje del Parnaso é uma das obras míticas de Cervantes, onde se alude ao monte da Grécia onde vivia o deus Apolo e as suas nove musas protectoras da arte. El Parnasillo, durante 176 anos, também teve o intuito de reunir os grandes génios. Esteticamente com uma fachada irlandesa, numa das portas vê-se Oscar Wilde observando ironicamente os transeuntes.
L.
España Cañi
Julho 23, 2006

Por mais que tente não vou conseguir falar de todos os cafés, cervejarias, restaurantes, tabernas, que vi e disse: “que lindo!que maravilha!”, porque são mesmo muitos,merecendo mesmo cada um o seu foco de atenção.
Na Plaza de Angel sita uma taberna tipicamente famosa pelos seus azulejos imortalizados num anúnico da imprensa, a España Cañi.Vê-se, numa das fachadas,o “Cante Hondo” (1929), de Julio Romero de Torres,o pintor da alma castelhana.Aqui as tapas são acompanhadas com o flamengo.
Já agora, mesmo à frente desta taberna é possível comprar discos, vinis, de vários géneros musicais, em segunda mão, numa das casas da La Metralleta (existem três), para além de cartazes de cinema, por 6 euros.
L.
Marca-livro no coração da cidade
Julho 23, 2006

Tenho ainda a cidade como nota de rodapé. Espero chegar ao fundo da página com as linhas certas da memória. Madrid por ler ainda.
L.
Don Quijote nas ruas de Madrid
Julho 22, 2006
Em consonância com o que foi dito no post anterior, Madridquijote é a página-livro mais grande do mundo, onde Don Quijote de La Mancha é lido na sala da rua. No virar de uma praça, mais uma frase, com a Gran Vía há dois passos mais: Yo nací libre, y para poder vivir libre escogí la soledad de los campos.
L.
Primeiras páginas à metro
Julho 22, 2006
É sabido como os editores, os livreiros espanhóis sabem promover os seus autores e respectivos livros. Por isso, não estranhei nada quando vi logo no primeiro metro que tomei uma primeira página, de Agustín Calvo, numa carruagem, dentro da iniciativa “Libros a la Calle”. E vendo bem, os resultados são visíveis, pelo que eu vi nos três metros que tomei. Mas não vi ninguém a ler os Recuerdos y Olvidos, de Francisco Ayala.
L.
Bairro de Las Letras, um poço de história
Julho 22, 2006

Apesar de cansados da viagem, partimos para o coração da cidade, cortando logo pelo bairro de las letras, levados pela errância do momento, na verdade.Entrar no bairro de las letras é entrar num poço de história, onde se entrecruzam ruas que foram pisadas por homens, homens ilustres, grandes escritores do Século de Ouro (Lope de Vega, Cervantes, Calderón e Tirso Molina). Cafés, restaurantes, tabernas,teatros, hotéis, cervejarias,lojas,tudo a rondar a história e a beleza, em casas baixas, em toldos compridos, em ruas estreitas, em edifícios históricos, como o convento de las Trinitarias, onde se encontra enterrado Cervantes. Pisando versos.
Volverán las oscuras golondrinas
en tu balcón sus nidos a colgar,
y otra vez con el ala a sus cristales
jugando llamarán.
Gustavo Adolfo Bécquer, Rimas,[38, LIII].
L.
Chegada, a primeira casa
Julho 22, 2006

E agora? Onde dormir? Entretanto, entre o km 0 e o passeio do Prado, ou entre a porta do sol e Neptuno, A. lê uma cerâmica escrita no piso de uma casa:“El día de San Isidro (de 1896) se celebró en esta casa la primera exhibición del cinematógrafo para los españoles.” É aqui, diz L.Subimos as escadas.
L.


