Novembro 22, 2006

Lisboa, Nov. de 2006

Não gosto desta fotografia. Desculpa-me, mas acho-a mesmo kitsch. O que eu gosto mesmo nela é o que não se vê: a travessia de Cacilhas para Belém, contigo. Tu, pelo contrário, logo que viste essa imagem ficaste apaixonada. Nesse rectângulo, como numa sinédoque, caçei o céu e o mar para ti. A minha fisga tecnológica agarrou ainda uma gaivota a entrar pelo lado direito como se ela ali fosse o único elemento a dizer o instante. A cidade, quase invisível, ao fundo, é como se fosse invulnerável ao tempo. Parece que nem só as cartas de amor são ridículas. No séc. XXI, já poucas cartas se escrevem, mas há coisas boas que perduram.  As palavras estão pela hora da morte. Em vez disso usamos imagens como palavras. Dedico-te esta foto.

Foto e texto de A.

2 Responses to “”

  1. decidela Says:

    como é que se pode achar uma foto kitsch à uma foto cheia de luz?

    obrigadaa,pela dedicação.

  2. andrém Says:

    Já gosto mais da foto. Talvez sejam os azuis e a serenidade.

    andré


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