
Lisboa, Nov. de 2006
Não gosto desta fotografia. Desculpa-me, mas acho-a mesmo kitsch. O que eu gosto mesmo nela é o que não se vê: a travessia de Cacilhas para Belém, contigo. Tu, pelo contrário, logo que viste essa imagem ficaste apaixonada. Nesse rectângulo, como numa sinédoque, caçei o céu e o mar para ti. A minha fisga tecnológica agarrou ainda uma gaivota a entrar pelo lado direito como se ela ali fosse o único elemento a dizer o instante. A cidade, quase invisível, ao fundo, é como se fosse invulnerável ao tempo. Parece que nem só as cartas de amor são ridículas. No séc. XXI, já poucas cartas se escrevem, mas há coisas boas que perduram. As palavras estão pela hora da morte. Em vez disso usamos imagens como palavras. Dedico-te esta foto.
Foto e texto de A.
Novembro 27, 2006 at 3:12 pm
como é que se pode achar uma foto kitsch à uma foto cheia de luz?
obrigadaa,pela dedicação.
Novembro 27, 2006 at 5:58 pm
Já gosto mais da foto. Talvez sejam os azuis e a serenidade.
andré