À beira do mar

Janeiro 4, 2007

  

AVEIRO, Janeiro de 2007 

Disse-lhe: “Que avenida melancólica…”. “Não, não é só a música deprimente de natal, que largaram como pássaros doentes à nossa volta. É a minha melancolia.” Seguíamos pela Lourenço Peixinho para a estação, no primeiro dia do ano. A luz amassada pelas últimas horas da tarde de Inverno.

No dia anterior, havíamos feito o percurso inverso, com o coração aos pulos, sabendo que ia ser bom estarmos juntos. Trabalho, só daqui por dois dias. “Residencial Alboi“, perguntámos.

Ficámos a saber mais tarde que o estranho topónimo daquela zona da cidade, onde pernoitámos, é corruptela de “All boy”. Os rapazes eram os pobres diabos daqui que mergulhavam no canal para “pescar” as esmolas que os ingleses (ou holandeses?) atiravam como se atiram ossos aos cães.

Essa história da “Veneza portuguesa” é uma treta inventada pelo turismo, como uma chancela “a modos” que romântica. A realidade provavelmente terá sido outra, tendo em conta a natureza de porto, e o que isso acarreta de coisas más (e boas também). São numerosas as fachadas com a marca indelével da arquitectura tradicional dos Países Baixos, como podem observar nas fotografias postadas. A verdade é que a vida e morte de Aveiro esteve sempre dependente da obstrução ou abertura da Barra. ……

[CONTINUA]

Texto e fotos de A.