
Guimaraes, Janeiro de 2007
LIVRO DE HISTÓRIA (em bruto)
1.
Nunca vi tantas pastelarias e gabinetes de advogados como em Guimarães. Numa dessas pastelarias comi um pastel de Chaves, com a minha namorada, hum…que delícia!…E esqueci-me de visitar os museus e as muralhas poderosas. Desculpem, senhores leitores, os começos são involuntários(“Mensagem”, F. Pessoa)
(Ainda não é bem assim.)
2.
Mumadona Dias foi uma mulher de armas. Não sei bem porquê, sempre a imaginei com um seios gigantescos. Talvez o segredo esteja nas palavras “muma” e “dona”(uma madona italiana como a de Amarcord).
Neta do célebre Vimara Peres, torna-se condessa Mumadona, de Portucale e de Coimbra, após a morte do seu marido, Hermenegildo. Aqui se prova que mulheres e homens são iguaizinhos quando querem e podem. No final da vida, porventura com remorsos do que andou fazendo “por cá”, funda o mosteiro de S. Mamede na sua propriedade de Vimaranes (mais tarde, Guimarães).
(Ainda não é bem assim.)
3.
Guimarães tem fartos bigodes e um tronco hierático, em granito castrense. (Também já teve a cabeça do Salazar, como vi num selo dos anos 40)
Fiquei surpreendido com as dimensões da estátua (em bronze, 1874), da autoria de Soares dos Reis, mais próximo dum ser humano do que dum herói. O olhar distante de quem está a tramar alguma. João Cutileiro fez um A.Henriques (na rua da Rainha, por detrás do largo do Toural) mais bruto e informe, como esse condado, que viria a ser um país.
Uma história popular conta ter havido dois Afonsos I: um deles, filho dos condes, falecera por ser uma criança frágil; o outro, aquele que se tornou rei de Portugal, seria filho de Egas Moniz, explicando-se assim a abnegação do aio perante Afonso VII, de Castela.
(Ainda não é bem assim.)
….[INCOMPLETO]
Texto e foto de A.M.
Do paço ducal, o céu
Março 2, 2007

Na segunda semana,numa semana de lua cheia, fomos até à cidade do Paço Ducal. Maravilhei-me logo com os vitrais da capela, a puxar muito para uma época antiga francesa. Dos contadores hispanos-árabes, dos espelhos barrocos, das porcelanas da companhia das índias, das faianças portuguesas, das tapeçarias francesas,ficámos assim impressionados. Para além das riquezas carregadas de histórias, os tectos de madeiras faziam lembrar grandes quilhas de naus. No claustro deslumbra-se um silêncio maior ainda. Entre chaminés, e a história que não se contou, fotografei este céu de fim do dia. É de uma serenidade que até inquieta. Para ti, A.c.
texto e foto de L.