Novembro 22, 2006

Lisboa, Nov. de 2006

Não gosto desta fotografia. Desculpa-me, mas acho-a mesmo kitsch. O que eu gosto mesmo nela é o que não se vê: a travessia de Cacilhas para Belém, contigo. Tu, pelo contrário, logo que viste essa imagem ficaste apaixonada. Nesse rectângulo, como numa sinédoque, caçei o céu e o mar para ti. A minha fisga tecnológica agarrou ainda uma gaivota a entrar pelo lado direito como se ela ali fosse o único elemento a dizer o instante. A cidade, quase invisível, ao fundo, é como se fosse invulnerável ao tempo. Parece que nem só as cartas de amor são ridículas. No séc. XXI, já poucas cartas se escrevem, mas há coisas boas que perduram.  As palavras estão pela hora da morte. Em vez disso usamos imagens como palavras. Dedico-te esta foto.

Foto e texto de A.

Novembro 22, 2006

Foto de A., Lisboa, Novembro de 2006

O Olho

Novembro 18, 2006

Foto de A., Lisboa, Novembro de 2006

Obras a brincar

Novembro 18, 2006

Foto de A., Lisboa, Novembro de 2006

Cidade Antiga (esboço)

Novembro 17, 2006

 

Lisboa, Novembro de 2006 

 

Na parede duma cidade antiga podemos ler, como num tecido de muitos fios, cruzamentos de povos e devoções, que um dia acabaram. É esse o caso do altar romano, ali mesmo ao lado da Sé de Lisboa, enquadrado por uma tripa de águas do século XX. Como se esse exemplo bastasse para dizer: “Passaram outros por este lugar. Às vezes foi árduo aceitá-los, quando eram bandidos que vinham com armas, mas depois soubemos viver uns com os outros e isso foi belo. As ruas foram refrescadas por sons duma língua nova, estendemos comida a deuses estranhos e os engenheiros mediram o lugar das pedras para uma nova fundação.”

 

 

 Texto e foto de A.