Uma visita aos Bracari

Junho 28, 2007

hei-de voltar a …

Abril 26, 2007

Abril 24, 2007

Viana do Castelo, Abril de 2007, foto de A.M.

Viana, Abril de 2007

Abril 24, 2007

 

Fotos de A.M.

Abril 24, 2007

Guimaraes, Janeiro de 2007 

LIVRO DE HISTÓRIA (em bruto)

1.

Nunca vi tantas pastelarias e gabinetes de advogados como em Guimarães. Numa dessas pastelarias comi um pastel de Chaves, com a minha namorada, hum…que delícia!…E esqueci-me de visitar os museus e as muralhas poderosas. Desculpem, senhores leitores, os começos são involuntários(“Mensagem”, F. Pessoa)

(Ainda não é bem assim.)

2.

Mumadona Dias foi uma mulher de armas. Não sei bem porquê, sempre a imaginei com um seios gigantescos. Talvez o segredo esteja nas palavras “muma” e “dona”(uma madona italiana como a de Amarcord).

Neta do célebre Vimara Peres, torna-se condessa Mumadona, de Portucale e de Coimbra, após a morte do seu marido, Hermenegildo. Aqui se prova que mulheres e homens são iguaizinhos quando querem e podem. No final da vida, porventura com remorsos do que andou fazendo “por cá”, funda o mosteiro de S. Mamede na sua propriedade de Vimaranes (mais tarde, Guimarães).

(Ainda não é bem assim.)

3.

Guimarães tem fartos bigodes e um tronco hierático, em granito castrense. (Também já teve a cabeça do Salazar, como vi num selo dos anos 40)

Fiquei surpreendido com as dimensões da estátua (em bronze, 1874), da autoria de Soares dos Reis, mais próximo dum ser humano do que dum herói. O olhar distante de quem está a tramar alguma. João Cutileiro fez um A.Henriques (na rua da Rainha, por detrás do largo do Toural) mais bruto e informe, como esse condado, que viria a ser um país.

Uma história popular conta ter havido dois Afonsos I: um deles, filho dos condes, falecera por ser uma criança frágil; o outro, aquele que se tornou rei de Portugal, seria filho de Egas Moniz, explicando-se assim a abnegação do aio perante Afonso VII, de Castela.

(Ainda não é bem assim.)

….[INCOMPLETO]

                                                                                  Texto e foto de A.M.

Interiores

Março 2, 2007

Man Ray, Rayograph. 1922.

Num pequeno texto, Paisagens Urbanas, que é, em suma, uma sequência de impressões de viagem, Walter Benjamin escreve isto, que só na aparência é paradoxal: “Como é difícil encontrar palavras para o que se tem diante dos olhos. Mas quando elas vêm, embatem na realidade com pequenas pancadas até gravarem nela a imagem, como numa bandeja de cobre”; e acrescenta: “só depois de eu ter encontrado essas palavras é que a imagemse libertou do vivido demasiado ofuscante, com amolgadelas fortes e sombras profundas”. Por outras palavras, só vemos realmente uma coisa quando encontrámos as palavras para a dizer. […] O olhar escreve, ou melhor: a caneta vê. Só vejo literalmente o céu quando, para o descrever, encontrei algo diferente de: é de azul, ou cinzento. Homero faz-nos ver o már báquico, sangrento, escuro, nauseabundo, o mar que é viveiro de monstros, reflectindo sóis poentes, etc, quando o descreve como oinops, cor de vinho.

Olivier Rolin, O meu chapéu cinzento, Edições Asa, pág16/17.

Do paço ducal, o céu

Março 2, 2007

Na segunda semana,numa semana de lua cheia, fomos até à cidade do Paço Ducal. Maravilhei-me logo com os vitrais da capela, a puxar muito para uma época antiga francesa. Dos contadores hispanos-árabes, dos espelhos barrocos, das porcelanas da companhia das índias, das faianças portuguesas, das tapeçarias francesas,ficámos assim impressionados. Para além das riquezas carregadas de histórias, os tectos de madeiras faziam lembrar grandes quilhas de naus. No claustro deslumbra-se um silêncio maior ainda. Entre chaminés, e a história que não se contou, fotografei este céu de fim do dia. É de uma serenidade que até inquieta. Para ti, A.c.

texto e foto de L.

À beira do mar

Janeiro 4, 2007

  

AVEIRO, Janeiro de 2007 

Disse-lhe: “Que avenida melancólica…”. “Não, não é só a música deprimente de natal, que largaram como pássaros doentes à nossa volta. É a minha melancolia.” Seguíamos pela Lourenço Peixinho para a estação, no primeiro dia do ano. A luz amassada pelas últimas horas da tarde de Inverno.

No dia anterior, havíamos feito o percurso inverso, com o coração aos pulos, sabendo que ia ser bom estarmos juntos. Trabalho, só daqui por dois dias. “Residencial Alboi“, perguntámos.

Ficámos a saber mais tarde que o estranho topónimo daquela zona da cidade, onde pernoitámos, é corruptela de “All boy”. Os rapazes eram os pobres diabos daqui que mergulhavam no canal para “pescar” as esmolas que os ingleses (ou holandeses?) atiravam como se atiram ossos aos cães.

Essa história da “Veneza portuguesa” é uma treta inventada pelo turismo, como uma chancela “a modos” que romântica. A realidade provavelmente terá sido outra, tendo em conta a natureza de porto, e o que isso acarreta de coisas más (e boas também). São numerosas as fachadas com a marca indelével da arquitectura tradicional dos Países Baixos, como podem observar nas fotografias postadas. A verdade é que a vida e morte de Aveiro esteve sempre dependente da obstrução ou abertura da Barra. ……

[CONTINUA]

Texto e fotos de A.

Uma janela

Novembro 27, 2006

Madrid, Agosto 2006.

L.

Novembro 23, 2006

Foto de A., Madrid, Agosto de 2006

Novembro 22, 2006

Lisboa, Nov. de 2006

Não gosto desta fotografia. Desculpa-me, mas acho-a mesmo kitsch. O que eu gosto mesmo nela é o que não se vê: a travessia de Cacilhas para Belém, contigo. Tu, pelo contrário, logo que viste essa imagem ficaste apaixonada. Nesse rectângulo, como numa sinédoque, caçei o céu e o mar para ti. A minha fisga tecnológica agarrou ainda uma gaivota a entrar pelo lado direito como se ela ali fosse o único elemento a dizer o instante. A cidade, quase invisível, ao fundo, é como se fosse invulnerável ao tempo. Parece que nem só as cartas de amor são ridículas. No séc. XXI, já poucas cartas se escrevem, mas há coisas boas que perduram.  As palavras estão pela hora da morte. Em vez disso usamos imagens como palavras. Dedico-te esta foto.

Foto e texto de A.

Novembro 22, 2006

Foto de A., Lisboa, Novembro de 2006

Janelas

Novembro 21, 2006

Gosto de janelas, altas e baixas, coloridas e descoloridas, desengonçadas e majestosas, no fundo, gosto das janelas nos seus vários géneros. Gosto da objectualidade do objecto-janela e da subjectividade do subjectivo-janela. De tantos objectos do mundo, tenho uma eleição especial pelas janelas. Na minha vida, não me aconteceu quando o meu pai me pegou no colo e levou-me até a janela e me disse é este o mundo. Não podia bem ser assim. (Muitas luzes pelo caminho e não sei por que fio eu sou levada). Sei que todas às vezes que “errei” para uma nova casa, semprei tomei como primeiro passo conhecer a janela do meu quarto. Deixa-me ver o que vejo daqui, deste canto, e deste lado, agora do esquerdo. As janelas de todos os quartos em que já vivi, lembro-me uma especialmente, que tinha mesmo à minha frente um limoeiro e se ouvia muito bem o vento. Como objecto, que abre para fora e para dentro, de mim mesma também, a janela também pode ser o pensamento. Espera-se pela janela. Será que a esperança tem lugar numa janela?



de L’ Eclipsse, Antonioni.

Da janela, como o melhor enquadramento para ver os crepúsculos, estes corredores que têm um papel colorido. Da janela, como o melhor lugar para receber a luz.Da janela para ver o mundo quieto ou da janela para começar um filme. Quantos? Marguerite Duras começou um por uma janela. Truffaut era obcecado por elas, através delas, comunicando por elas. Hitchcock filmou a melhor aula sobre perspectiva em Janela Indiscreta. Qual é o filme de western em que não se vê um cowboy mirando por uma janela com uma arma em punho? Em quantos filmes de noir vê-se todo o mistério pousado entre um entreolhar numa persiana e uma sombra que passa firme pelas paredes? Como é que se esquecem as janelas de Tarkvoksy, as do Espelho e as da Nostalghia, se elas são autênticos quadros?


(c) Raymond Depardon.

A janela como fuga, como entrada de ar e de luz, como ideia de vazio e de nada, como ângulo de visão. Como em Tabacaria, Fernando Pessoa começa Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é.As cidades como janelas em brasas com cortinas/ puras, como num lugar de Herberto Hélder. As janelas altas de Larkin :Rather than words comes the thought of high windows:/The sun-comprehending glass,/And beyond it, the deep blue air, that shows /Nothing, and is nowhere, and is endless. Ou como diz Rilke :Tu me proposes, fenêtre étrange, d’attendre. […]Qui attendrais-je?.E tantas janelas abertas em tantas palavras.


(c)Vermeer, Soldier and a Laughing Girl.

Em quantas manhãs Vermeer doseiou as suas janelas, bebendo a luz necessária para os seus quadros? Como é que se pode sentir tanto ruído por uma simples tecla, através de uma janela? . A porta-janela ou a janela-porta de Matisse?. E uma mulher que espera numa janela de Caspar David Friedrich.

Tom Waits canta : I climb through the window and down the street e sonha-se com as janelas. A janela como encontro com a noite. A janela que erra, que fragmenta pedaços de ruas, de cidades,de rostos, pelos os olhos dos viajantes. As janelas dos aviões, dos comboios, dos autocarros, dos barcos. Como Adriana Calcanhoto canta, pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela,(quem é ela, quem é ela?), eu vejo tudo enquadrado, remoto controle.

As janelas como lugares de solidão, rostos apagados pela idade, pelo meio da manhã e pelo meio da tarde, espreitando para fora, em casas tristes.

Por fim e deixando muitas janelas em aberto, da minha janela vejo um pátio de um colégio. De lá, vêem-se miúdos a correr, a jogar à bola, e a fazerem círculos de mãos dadas.Também vejo mais perto, uma oliveira que, de vez em quando, é visitada por um melro. E por final, vejo, muitas vezes,um gato de olhos verdes que atravessa o muro muito devagar.

Errâncias de L.

As Portas (esboço)

Novembro 20, 2006

Madrid, Agosto de 2006 

Tenho um fascínio por portas. Porque é que um objecto e não outro lança sobre nós um feitiço? Às vezes, fico a pensar nisso, deste meu fetiche… Seria ingénuo da minha parte, pensar que haveria somente uma razão: a vida nunca me deu uma razão mas um poliedro delas, algumas que a própria desconhece, tal ainda é o escuro. Prefiro a compreensão à explicação. Acho que é mais honesto. O porquê tem a mania de ficar pelo singular “porquê” e não pelo plural “porquês”. É bem mais estimulante o “como”.

O meu fetiche por portas serviria para uma tese de doutoramento como um atacador, a ponta dum lápis ou outra coisa qualquer. As minhas portas não são a asséptica e cinzenta porta de prédio ou de apartamento, de madeira a fingir. Normalmente gosto muito de portas (ah, e janelas também) que fogem à escala normal, apropriada a uma coisa dessas. Consolo-me com portas medievais mas não é por causa dum potencial arco, não: são a pequenez e a estreiteza, escalas de inadaptação ao quotidiano dos corpos.

Em Agosto, vi muitas em Madrid. Recentemente, em Lisboa, detive-me sobre outras. Podíamos fazer muitas interpretações: desde a “porta”, do ponto de vista sexual, até à “porta” dos historiadores de religiões, como símbolo de passagem e iniciação. Estou a lembrar-me da sucessao de portas em Citizen Kane, num palácio interminável. A porta sela a nossa intimidade, mas é também um obstáculo e pode ser, entreaberta, uma tentação para espreitar e entrar. Nas portas ainda há as voyeurísticas fechaduras. E as portas que não fecham, são para nós um desassossego. Lembro-me da porta dum cofre sempre encerrada. No dia em que se abriu, além de não ter nada em especial no seu interior (só papelada, nada de moedas de ouro), ainda encontrei fotografias de mortos de família. Quando sonho com um assalto a minha casa, estou sempre do lado de fora e vou logo logo a correr tentar fechar a porta. Quando me ponho a pensar, a porta é, para mim, o fantasma do medo. Deixo-vos com a porta magenta dum bar de Madrid chamado “La Querencia”, que em português significa, isso mesmo, “A Querença”: incrível como o nome e a cor combinam muito bem. Nada mais adequado ao momento em que a caçei.

Texto e foto de A.

O Olho

Novembro 18, 2006

Foto de A., Lisboa, Novembro de 2006

Obras a brincar

Novembro 18, 2006

Foto de A., Lisboa, Novembro de 2006

Cidade Antiga (esboço)

Novembro 17, 2006

 

Lisboa, Novembro de 2006 

 

Na parede duma cidade antiga podemos ler, como num tecido de muitos fios, cruzamentos de povos e devoções, que um dia acabaram. É esse o caso do altar romano, ali mesmo ao lado da Sé de Lisboa, enquadrado por uma tripa de águas do século XX. Como se esse exemplo bastasse para dizer: “Passaram outros por este lugar. Às vezes foi árduo aceitá-los, quando eram bandidos que vinham com armas, mas depois soubemos viver uns com os outros e isso foi belo. As ruas foram refrescadas por sons duma língua nova, estendemos comida a deuses estranhos e os engenheiros mediram o lugar das pedras para uma nova fundação.”

 

 

 Texto e foto de A.

uma noite

Novembro 15, 2006

Bar la piola

Novembro 15, 2006

Já se falou (e bastante) sobre o nosso deslumbre à volta dos restaurantes, bares e cafés de Madrid. E “bar la piola” é um dos que não faltam na nossa lista de favoritos. Quandos o vimos pela primeira vez mais parecia um plano de um dos filmes de Wim Wenders, já que à janela estava uma das suas personagens. Não tivemos dúvidas.

foto de A.